sexta-feira, 20 de abril de 2012

O SONHO NOSSO DE CADA DIA


    O trabalho de pesquisa sobre as novelas de cavalaria do período do Trovadorismo na Literatura Portuguesa despertaram-me  o desejo de reler mais uma vez As Brumas de Avalon, romance que causou enorme sucesso nos anos 1980, quando a escritora americana Marion Zimmer Bradley lançou os quatro volumes que constituem a obra, a qual conta de forma romanceada a história do Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda, desde os acontecimentos e tramas que levaram ao nascimento de Arthur até a sua morte, selando o destino da mítica Avalon.
      E confesso que foi com um sentimento de pena que cheguei ao final. Pena de me afastar daquele mundo de magia, de sonho, de misticismo em que a história está envolta. E isso me fez refletir sobre a atração que temas desse tipo exercem sobre as pessoas. Creio que é um reflexo do lado infantil que permanece em todo o ser humano, que vem lá da época em que, crianças, deixávamos aflorar a nossa imaginação, inventando brincadeiras de faz-de-conta, imaginando fatos, despertados, talvez, para o mundo da fantasia pelos contos de fadas e outras historinhas infantis que nos são contadas pelos adultos.
    Todas as pessoas têm em si essa atração pelo místico, pelo fantasioso, que sempre mexeu com a imaginação do ser humano. O mundo da fantasia sempre existiu e sempre existirá.  Basta verificar o quanto têm encantado as crianças, os jovens, e até os adultos, os filmes  dos últimos anos, baseados em livros ou não, como a trilogia de “O Senhor dos Anéis”, com seus homens corajosos, bruxos, elfos, anões, fantasmas, monstros;  as aventuras incríveis do bruxinho Harry Potter e seus amigos  enfrentando os seres do mal; os estranhos seres azuis de “Avatar”; as lutas e os amores entre vampiros, humanos e lobisomens da série iniciada com “Crepúsculo. E os heróis como Super-Homem,Batman, X-Men e outros? Eles enchem  os cinemas e movimentam as locadoras de vídeo.
       É a sede de fantasia, de sonho, do mundo do “faz de conta”, em que a tecnologia virtual  trouxe inspiração para os escritores e fonte de roteiros para os cineastas, para suprir esta necessidade humana de saciar a imaginação, o mundo da fantasia.  Incluem-se aqui, ainda, o gosto tão popular pelas novelas de televisão, que são acompanhadas atentamente e seus personagens comentados como se fossem reais, ao ponto de alguns atores serem quase agredidos nas ruas devido às atitudes dos personagens que interpretam na telinha.
     É o imaginário do “homo sapiens” sendo mexido pelo fantasioso. É o nosso “cantinho secreto” do sonho sendo atingido por uma centelha da fantasia. Porque, pensemos, bem, o que seria de nós, pobres batalhadores de cada dia, se não tivéssemos a capacidade de sonhar?! Imaginem o que seria do ser humano se ele não tivesse a imaginação? Se ela não existisse, como poderíamos criar metas para a nossa vida, criar uma imagem de um futuro que ambicionamos para nós e aqueles que fazem parte da nossa vida?
       Paremos um pouco e pensemos em como seria um mundo em que não tivéssemos a capacidade de sonhar, um mundo que fosse só trabalho, só realidade, só pé no chão. Acho que enlouqueceríamos! Principalmente num mundo como de hoje, em que o dia a dia é luta pela sobrevivência, competição, violência entrando pelos olhos e ouvidos a todo instante. Se não tivéssemos a capacidade e a oportunidade de fugir um pouco dessa realidade dura e, às vezes, chocante; se não tivéssemos a capacidade de sonhar com uma realidade melhor, com um mundo melhor, creio que perderíamos o estímulo de viver!
        Por isso, a capacidade de sonhar é que leva as pessoas  para a frente, move o mundo, mantém a sanidade mental do homem. Afinal, não teríamos chegado onde chegamos sem os "loucos maravilhosos"  e suas incríveis invenções! 

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