sexta-feira, 13 de abril de 2012

FABRIQUE A SUA ALEGRIA

    Segundo a atriz Denise Fraga, nós  abandonamos a alegria à sua própria sorte, queremos que brote sozinha, sem uma ajudazinha sequer. Só que precisamos diversificar as possibilidades de felicidade. Não é fácil, às vezes até parece meio patético. Mas experimente

    O que faz nosso olho brilhar? Qual é o ingrediente exato que faz o rosto de alguém se iluminar? Como atriz, uma das coisas mais enigmáticas para Denise é essa luz, esse brilho. Ela considera ser um dos pontos o fato de que, quando alcançamos o que almejamos, perdemos aquele brilho no olhar que a expectativa da conquista, o entusiasmo da luta proporcionavam,

     Qualquer que seja a nossa profissão,  desde a mais humilde até à mais cheia de glamour, todos nós somos assaltados de vez em quando pelo desânimo. Viver não é bolinho e, vamos combinar, complicamos demais a nossa existência. Terminamos os dias com a eterna sensação de coisas por fazer porque ninguém dá conta de tudo que foi inventado nos últimos anos. Não basta ser, precisamos superser.Estamos disponíveis, plugados, ante-nados, fazendo um monte de coisas e, por incrível que pareça, muito poucas são capazes de fazer nossos olhos brilharem. Tenho a sensação de que nossa trajetória nesta vida é dentro de um rio onde, até a metade da nossa existência, podemos somente nos deixar flutuar e sermos levados. À certa altura, precisamos nadar contra a correnteza, porque o prazer de flutuar já não nos basta. Queremos mais, já conhecemos, vamos ficando exigentes e cada vez menos coisas nos trarão brilho aos olhos. Se simplesmente nos deixamos levar, vamos ficando um pouco reclamões da falta de sal das coisas, os homens vão ficando no sofá, o controle remoto ajuda, o Facebook também... Tenho uma amiga que fala que não tem jeito:mulher fica chata e homem fica bobo. Não sou tão radical assim, mas acho mesmo que temos que nadar contra a correnteza, ir contra o peso dos dias, experimentar se livrar de si, se desrespeitar um pouco, se reinventar e se surpreender.

    Tenho uma amiga que fala que não tem jeito:mulher fica chata e homem fica bobo. Não sou tão radical assim, mas acho mesmo que temos que nadar contra a correnteza, ir contra o peso dos dias, experimentar se livrar de si, se desrespeitar um pouco, se reinventar e se surpreender.
      Nadar contra a correnteza inclui reeducar o olhar. Tentar ver coisas para as quais já olhamos há muito tempo sem ver. Precisamos nadar contra a correnteza da mesmice e do tédio. Diariamente. Não nos deixar arrastar pela rotina do que precisa ser feito, é melhor que se faça,  mas não é lá muito prazeroso. A vida é tão múltipla  que, mesmo completamente emaranhadas em nossas agendas impossíveis, podemos nos oferecer coisas simples e novas, como, num sábado,  decidir passar o fim de semana explorar uma cidade desconhecida. Loucura? Talvez. Prefiro chamar de exercício de disponibilidade. No mínimo teremos uma boa história pra contar.                                                                                                   
      Qual foi a última vez que você fez uma coisa pela primeira vez? É bom se perguntar isso de vez em quando. Tente achar  uma coisa que você adoraria fazer e nunca fez. Voar de asa-delta, ir a um baile funk, um show em praça pública, deitar no asfalto quente, assistir a uma ópera, jogar ovos na parede, usar uma roupa completamente diferente, cantar num karaokê, andar de bicicleta pela cidade, fazer um piquenique, reunir a turma da faculdade, etc.  

  Já dizia um amigo meu: "A vida é bonita porque é variável". Portanto,precisamos diversificar as possibilidades de felicidade. Não é fácil. Parece que não vai dar certo. Mas há que se reinventar. Fazer esforço para fabricar alegria. Abandonamos a alegria à sua própria sorte, queremos que brote sozinha, sem uma ajudinha sequer. Nossa indústria de cansaço e tédio trabalha a todoo o vapor e não achamos legítimo fabricar alegria? Às vezes parece ridículo, patético até. Mas experimente. Sugira uma simples brincadeira de mímica naquele tedioso e formal almoço de família. Pode até demorar a pegar, mas, se você insistir, corre o risco de virar o Cabo das Tormentas e ver aquele sofá sonolento começar a vibrar com cintilantes meninos escondidos em tios rabugentos. Maturidade traz sabedoria, mas também traz tédio e preconceito. Tem que tomar cuidado e abrir as janelas pra ventilar. Requer esforço e criatividade. Não se fabrica felicidade, mas podemos dar mais chances de existência à alegria .


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