domingo, 22 de abril de 2012

EDUCAÇÃO À FRANCESA


  As mulheres francesas não engordam, sabem seduzir um  homem  e  criam  os  filhos  mais  bem-educados do planeta, segundo a jornalista americana Pamela Druckerman. Ela revela, num best-seller, o segredo do jeito francês de educar: preservar os direitos dos pais.

   Lendo a seção “Sua opinião” da revista Claudia, verifiquei que uma das reportagens que fez mais sucesso entre as leitoras foi a intitulada “Aulas de Francês", de Rosane Queiroz, publicada na seção “Família e filhos”. A reportagem aborda um livro publicado pela jornalista americana Pamela Druckerman, que viveu durante dez anos em Paris, com o marido e três filhos pequenos (uma menina e um casal de gêmeos).
    Ao frequentar restaurantes com a família, ela ficava abismada ao ver crianças francesas comendo sem se sujarem e sem interromper os adultos, enquanto os filhos dela solicitavam atenção o tempo todo e faziam birra com a comida. Pamela, então, resolveu investigar as origens do comportamento civilizado das crianças francesas e descobriu que estava na forma como as mães francesas criam os filhos. O resultado da pesquisa está no livro que ela escreveu e se tornou best-seller: “French Children Don’t Throw Food” (Crianças Francesas Não Jogam Comida no Chão”).
   Qual é o segredo, então, das francesas? Elas não vivem em função dos filhos e nem tratam as crianças como pequenos reis. Elas não toleram birras, não negociam, nem passam o fim de semana acompanhando os pequenos em parquinhos ou festas infantis. Em resumo, educam, mas conseguem manter a vida adulta sem transformar seu mundo num playground.
    "Para ser um tipo diferente de mãe, você precisa de uma visão diferente sobre o que uma criança realmente é", decreta ela, logo de cara.
   Segundo Rosane Queiroz, a carapuça, em boa parte dos casos, serve para as mães brasileiras, pois a educação  aqui é  baseada  mais pela americana do que pela europeia, como observa a psicopedagoga Ceres Alves de Araújo, da PUC de São Paulo. "As francesas sabem dizer não e ponto", afirma Ceres, que morou em Paris e viu como lá a "criança é tratada como criança". Para a psicopedagoga, o problema é que na cultura americana os pais se perdem em longas explicações desnecessárias para os filhos pequenos. "Até os 5 anos, a criança nem sequer entende tantos argumentos. Basta dizer não", aconselha. Se houver réplica, Ceres sugere a resposta: "Porque sou sua mãe e sei o que é melhor".
    Depois, na adolescência, quando caberia esticar a conversa,  muitos pais, exaustos, optam pelo "não e ponto". "São comportamentos invertidos. A criança precisa ser obediente na infância para na adolescência se tomarem um ser desobediente."
     A alimentação, tema crucial para a maioria das mães do planeta, é uma  das questões que PameIa Druckerman  aborda. Segundo ela, as francesas prezam os horários fixos para as refeições, sempre à mesa, começando com uma salada e terminando com queijo. As crianças comem uma versão encurtada do menu dos adultos e são encorajadas a provar de tudo. Não existem cardápios  diferenciados ou a hipótese de preparar outro prato porque naquele dia não tem nada que o pequeno goste. Comida, na França, não envolve jogo emocional. "Os pais preparam as refeições com calma e ingredientes frescos. As crianças aprendem a respeitar o alimento", diz a francesa Eileen Leazeau, secretária executiva que vive há 21 anos nos Estados Unidos e é mãe de três adultos.
   Outro ponto é o  horário de ir para a cama, um outro drama tratado com sabedoria à francesa. Enquanto nos Estados Unidos (e aqui!) os pais passam meses sem dormir para atender o bebê no meio da noite, os franceses aguardam até dez minutos para ter certeza de que a criança está realmente infeliz. Eles se permitem acreditar que o pequeno pode estar apenas resmungando ou sonhando. Ou que logo voltará a dormir. "Pais que se revezam no quarto do filho criam um condicionamento inadequado", acredita Ceres.
     Sob diversos aspectos, como o da boa educação, os franceses esperam mais de uma criança, ainda que ela seja apenas uma criança. Isso significa que os pequenos não só devem dizer "por favor" e "obrigado", mas também bonjour e au revoir aos adultos.
      As crianças francesas ainda aprendem a esperar, seja em nome da paz doméstica, seja para evitar constrangimento social. Os pais, ali, se empenham em combater o caos criado pelo mundo infantil e preservar os "direitos" paternos. Ceres aprova. "Aqui, vivemos a era do “filiarcado”, em que os filhos reinam", critica ela.
   Ensinar as crianças a lidar com a frustração é a regra máxima do livro de Pamela Druckerman, ainda sem data para publicação no Brasil. Na abordagem francesa, os pais estabelecem uma "moldura" de limites. A imagem sugere fixar regras, mas com certa liberdade dentro delas. Com a moldura definida, as necessidades dos adultos permanecem, ao menos, no mesmo nível que as das crianças.
     Criar filhos é apenas parte do plano, e não um projeto de vida. A certa altura, tudo parece funcionar bem demais para ser verdade. ''Talvez Pamela seja muito afirmativa", diz Ceres. Mas, como o livro é narrado com humor e certa ironia, a autora se redime de possíveis deslizes e passa uma mensagem libertadora para aquelas que ainda veem os filhos arremessando batatas fritas:.”
     "Mesmo boas mães podem não viver a serviço constante das crianças, e não há razão para se culpar por isso", ensina Pamela.

Limites à francesa
 · As crianças devem dizer: olá, tchau, obrigada e por favor. Isso vai ajudá-las a entender que não são as únicas com sentimentos e necessidades.
· Quando elas se comportarem mal, use a tática dos "olhos  grandes" - um olhar muito severo de repreensão.
· Lembre seus filhos de quem é o chefe. Pais franceses dizem: "Sou eu quem decide".
· Não tenha medo de dizer não. As crianças precisam aprender a lidar com alguma dose de frustração.

     Penso que o  livro de Pamela parece ser muito interessante e útil para uma sociedade em que os pais estão perdendo o controle sobre os filhos pela falta de imposição de limites para o seu comportamento. 


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