sábado, 14 de janeiro de 2012

POR UMA VIDA SIMPLES

Danuza  hoje.

    Danuza Leão é muito conhecida  no mundo dos ricos e famosos. Foi modelo nos anos 70, casou-se com o famoso jornalista Samuel Wainer. Sendo irmã da cantora Nara Leão, importante figura da bossa nova,  participava da sociedade da  época e tornou-se uma musa boêmia nos anos 60. Foi jornalista e hoje é colunista do jornal Folha de São Paulo e de revistas como a Cláudia. Morando na famosa avenida Vieira Souto , na Zona Sul do Rio de Janeiro, circulando por Paris e Buenos Aires sempre que quer, é uma personagem importante nos meios jornalísticos e sociais. Irreverente e com idéias pessoais, olha o mundo com olhos próprios e independentes. Veja aqui algumas de suas convicções. Vale a pena

      Com exceção de temporadas em Paris e Buenos Aires, Danuza pouco sai de casa. Se o faz, é a pé ou de táxi. Também abandonou as sessões de cinema: "Não dá. Tem gente que ri quando não é para rir,que fala quando deveria ficar quieta. Não tenho pressa, espero passar na TV". Em outras palavras, Danuza decidiu descomplicar a vida. Não por acaso, seu livro recém-lançado, É Tudo Tão Simples (Agir), resume esse estado de espírito. Sem obrigação de dourar a pílula, ela oferece sugestões para viajar, visitar amigos, buscar um novo amor, fazer cirurgia plástica. Mas não pretende que a obra seja um guia de etiqueta. Está mais para um código de ética pessoal, um manual sobre o respeito que Danuza decidiu partilhar. "É inspirado no que vi e ouvi nos últimos 20 anos e em minha mudança interior", explica. "Quem quiser ir atrás, ótimo. Mas não mando ninguém obedecer a nada." Mais: escreveu para uma categoria de mulheres que, como ela, não têm idade e a quem denomina ageless. Tendo como testemunha o gato Haroldo, único parceiro de suas horas ao notebook, Danuza fez  revelações.

De onde surgiu a inspiração para o livro?
     Andei pensando no simplificar. Passei metade da vida querendo ter todas as coisas e estou passando a segunda metade me desfazendo delas. Demorei a descobrir que basta um bom quarto e sala para ser feliz. Precisei em me de roupas, livros, prataria. Foi difícil no começo. O primeiro estalo surgiu há oito anos, quando vendi meu carro. Vi que dava para viver melhor com menos.

Sentiu falta do luxo? Do carro?
      Se eu não tivesse morado fora e convivido com pessoas que valorizam o ser e não o ter, talvez ficasse grilada. No meu prédio, por exemplo, a portaria não é de Blindex. Não tem um apartamento por andar; mas quatro. E no que isso prejudica a minha vida? Em nada. Carro, para quê? Moro num lugar prático, onde tem tudo em volta, ando a pé. Ô, felicidade! Andar de táxi, ônibus e metrô é uma das melhores coisas do mundo.

Do que mais vai abrir mão?
       Espero a hora certa de eliminar mais coisas. Para que eu quero 12 copos de vinho branco, 12 de tinto, que comprei em Veneza, iguais aos do Harry's Bar, mais oito flûtes (para champanhe) que jamais usarei, seis pares de botas, 16 suéteres e muitas camisetas?

Por que adora viajar sozinha?
      Deus não me deu paciência. Estando com um amigo ou filho, chega a hora em que o outro quer fazer algo que você não está a fim. Não suporto esperar alguém escolher um sapato, ir a um bar que não me interessa. Não preciso de companhia para jantar em Paris ou no Rio. Habituada à liberdade, acho difícil abrir mão dela.

Não confundem sua independência com antissociabilidade?
      Sou antissociável! Fui passar uma semana no Club Mediterranée. No dia seguinte, voltei, tal a pressão para me enturmar. Por isso, não gosto de cruzeiros, que obrigam você a interagir. Ainda por cima, não tem táxi na porta.

Como é a sua rotina?
      Sábado e domingo não tem empregada, não vem ninguém consertar nada, minha cama fica desarrumada, que delícia! Nos outros dias, acordo às 7 e caminho até o Arpoador - ninguém chegou à praia ainda. Depois, sento num quiosque e pego um sol. Volto para casa, leio os jornais e vou para a ginástica. Há quem diga que fico muito em casa. Mas querem que eu vá para onde? Para o shopping? Não entro em shopping de jeito nenhum.

Por que diz que a idade de ouro é dos 45 aos 55 anos?
É nessa idade que a mulher sabe mesmo o que quer. Já passou por dois ou três casamentos, não tem a ansiedade dos 20 anos. Os filhos cresceram, ela se tornou livre. Desfruta da vida com maturidade, sem querer o impossível. Se ela se cuidar, ainda continuará linda e sexy.

Amigos: quais as regras de ouro para mantê-los?
       A primeira é ter amigos que achem graça das mesmas coisas. Você não tem tantos assim no mundo. Para uma amizade durar, é preciso ter interesses parecidos. No livro, digo que grávidas só deveriam se dar com grávidas, pois os assuntos que interessam a elas é a ultrassonografia, o enxoval do bebê, se vão amamentar.

Se o amigo não desliga o celular, você reclama?
    Se duas pessoas estão juntas, é obrigação olhar uma para a outra, não para o celular. Também não vale só olhar quem está ligando e não atender. Está comigo e pronto. Meus amigos já sabem: no restaurante, se não desligar o celular, eu reclamo. Tem coisa pior que achar que está com uma pessoa e ela passar o tempo todo conversando com outra ou pensando nela?

Nos  anos  70.
Você não se hospeda na casa dos outros e não gosta de receber. Por quê?
        Uma leitora me perguntou sobre a arte de receber. Não sou boa anfitriã; não sou uma guia de turismo legal. Moro no Rio e não conheço um bar incrível ria Ilha do Governador. Gringo adora ficar na casa de amigo brasileiro. É preciso aprender a dizer não. Se o outro ficar com raiva, problema dele.

Você valoriza o seu dinheiro?
      Evito compras erradas. Muitas mulheres só querem grife. Uma amiga me contou que num jantar viu 12 garotas com sapatos de sola vermelha, Louboutin. Uma tragédia. Para mim, quando dizem que algo está na moda, não está mais. Não acho bacana ficar igual. Bom é ser a única. Só vale comprar o que dura. Quando voltei de Paris, trouxe meu sofá, que foi reformado e está na casa da filha da minha filha. E ele tem quase 50 anos.

O brasileiro anda mais educado?
       Anda pior do que nunca. Me lembro do tempo em que os alunos se levantavam quando os professores entravam na sala. Hoje, se não se cuidarem, apanham ali.

De que você sente mais falta?
      De alguém que escute o que quero dizer. As pessoas pararam de ouvir. Quando não tenho com quem falar, bato na porta do meu antigo analista. Por 50 minutos ele vai me ouvir. Tenho poucos amigos para isso. A grande verdade é que estão todos muito ocupados. As pessoas andam ocupadas demais com o próprio umbigo.

Qual o maior mico que você já pagou?
       Foram muitos, mas não me recordo. Também esqueço o dos outros. Tudo que sei aprendi com quem sabia mais.Na primeira vez que vi uma alcachofra, fiquei paralisada. Esperei e fiz como as outras pessoas da mesa. Teria sido mais fácil perguntar, mas tive vergonha.

O que a deixa chateada?
    Evito ficar perto de gente que possa trazer aborrecimentos. É a melhor forma de me preservar de chateações.

Seu livro diz como se tornar a mãe ideal. Quem é ela? 
     Aquela que não cria problemas. Diz que tudo está ótimo. O maior presente para um filho é não preocupá-lo porque você está sozinha. A felicidade é ter uma mãe com vida pessoal boa e animada. E que não dependa dele para ser feliz. Assim, ele não sentirá culpa por não ter telefonado. A culpa de não atender ao desejo da mãe é horrível. A minha morreu e eu tenho culpa até hoje.

O que significa ter um comportamento social ético?
    Não furar fila no cinema, não pegar a mesa de quere chegou antes ao restaurante, jamais fazer charme para o  namorado de amiga. Se você for gentil, o outro será gentil também e o mundo parecerá um lugar pacífico.
                       (Por Dalila Magarian, Cláudia, dezembro de 2011)

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