domingo, 8 de janeiro de 2012

FACEBOOK - A vida como ela não é.

        Esta crônica de João Luiz Vieira, na revista Cláudia, do mês de dezembro  2011, dá uma real e interessante visão sobre as redes sociais.

     Seus amigos só jantam em restaurantes charmosos, passam os fins de semana em praias paradisíacas e as férias na Europa? Bem-vinda ao mundo rosa do Facebook .

      Já teve a sensação de que é a única do grupo a não arranjar tempo para ir a todas as festas, dinheiro para conhecer países incríveis, opinião para falar sobre os filmes mais badalados e os livros mais vendidos? Se você está no Facebook, provavelmente já. Afinal, a vida  é só sorrisos nessa rede, que conta com mais de 31milhões de usuários. "As pessoas não querem ter contato com coisas incômodas", acredita a designer Elisa Stecca, autora do livro Hoje É o Dia Mais Feliz da Sua Vida (Matrix) e frequentadora assídua da rede social. Para ela, há até uma perseguição aos pessimistas e mal-humorados. Como temos problemas demais, quem é que gosta de acompanhar os dos outros em tempo real?
         A questão não se resume à simples vontade de tornar o mundo mais leve. O ator e diretor Otávio Martins, em cartaz em São Paulo com a peça Circuito Ordinário, define os perfis no Facebook como avatares do ego. "As pessoas são ali como querem que as vejam. Não se trata de livre expressão, porque quem se mostra como é está dando a cara a tapa." É natural ter receio de mostrar publicamente as limitações e os defeitos, assim como nos satisfaz dividir aspectos positivos da nossa existência. Isso acontece em qualquer relação, inclusive longe da internet. Você vai a um encontro e conta da última viagem, do vinho que provou noite dessas, não da briga feia com a sua mãe. "A diferença é que ocultar as fraquezas nesse caso tem a ver com busca por uma aproximação com o outro", avalia o psicólogo clínico e organizacional Walter Mattos, de São Paulo. Segundo ele, há dois grupos de facebookers: o que procura ser cauteloso na autoexposição  e o que usa a ferramenta como substituição da  realidade. Este último é formado por pessoas que nutrem um desejo narcísico de chamar a atenção, colecionar o máximo de "amigos" que puder e construir uma imagem de si mesmas mais próxima da perfeição. "Copiam e colam poemas, textos e frases de efeito como se tentassem ser aquilo que está escrito. Postam dezenas de fotos, desejosas de receber mensagens positivas e afetuosas, que se contrapõem à rudeza do mundo real", observa Mattos.
        Mas ser elogiada faz muito bem à saúde! O importante é verificar até que ponto se é dependente do conforto emocional virtual, da aprovação alheia a cada minuto. Será que trocar a foto no Face e não receber um mísero "curtir" é motivo legítimo para se acabar num pote de sorvete? "Acredito na capacidade do ser humano de encontrar soluções para seus problemas que ele mesmo cria, fazendo, para isso, uma autoavaliação", afirma Mattos. "Assim, você enxerga se é do time que enfrenta suas questões pessoais ou se tem preferido se esconder no mundo da fantasia. A escolha é de cada um."
         Achei  verdadeiras e válidas as colocações da crônica, mas, em  relação a isso, eu acredito que cada um age de acordo com aquilo em que acredita. Tenho página no Facebook e visito-a regularmente, para saber dos meus amigos. Mas só posto alguma coisa se acho interessante realmente, ou engraçado.  Também comento ou compartilho  o que me  chama deveras a atenção ou quando me sinto chamada a dizer algo. Não me considero na obrigação de estar diariamente fazendo postagens para marcar presença. E muito menos na obrigação de estar sempre dizendo algo belo, profundo ou inteligente, o que, em demasia,  pode soar falso.
         Já li em revistas  colocações preconceituosas, como a de que Orkut é para pobre e Facebook é para os bem-sucedidos.  Acho isso uma tremenda bobagem! Tenho os dois e uso  tanto um como outro, sem problemas.  Até acho mais interessante uma colocação de um amigo dos meus netos, que dizia , mais  ou menos, assim:   “O Orkut está sempre me dizendo para não fazer alguma coisa, o Facebook quer saber o que eu estou pensando  e o Twitter vive perguntando o que eu ando fazendo. Eu até já estou achando que quem inventou os três foi a minha mãe!”



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