terça-feira, 6 de dezembro de 2011

MACAQUICES E OUTRAS COISAS

      Olhando  esta gravura que vi no Facebook, que  satiriza aquela famosa  linha de evolução do homem,  lembrei do querido Mário Quintana e de uma colocação sua no livro “Na Volta da Esquina”, na qual ele dizia que, ao ver um macaco não se sentia impressionado pelo fato DE que ele tenha sido o nosso ancestral, mas sim com o pressentimento de que ele viria a ser o nosso futuro.
      Associando  a isso a crônica de Roberto Pompeu de Toledo (postada  abaixo, sob o nome de “Mundo que vai, mundo que vem”),  em que ele comenta o provável  desaparecimento da escrita cursiva (já que hoje todos preferem usar o computador) e as possíveis consequências de tal  fato,  penso que o nosso futuro possa vir, sim, a ser o macaco. Mas um macaco da era moderna, cheio de luzinhas piscantes, botões e teclas para os mais diversos usos imagináveis!
       Por que não? O homem de hoje  adora copiar os modelos do momento, as celebridades, o que vê na televisão, no computador. E se for estrangeiro, americano principalmente, melhor ainda. E quando mais bizarro, violento, esquisito, então é um sucesso!  Copia-se, copia-se, copia-se. Originalidade pra quê? A  mídia nos diz tudo que devemos fazer,  pensar, dizer, ter.  Não estão aí as ditaduras da magreza, das  musiquinhas cretinas, das roupas malucas, das atitudes pré-determinadas pelo que os famosos fazem? A TV mostra e as redes sociais disseminam.  Pensar pra quê? Para que vamos cansar nossos neurônios?
      Quanto à  escrita, esta torna-se cada vez pior. Esse “internetês”  que a maioria usa nas suas comunicações virtuais já virou um arremedo de Português mesmo! Ninguém quer saber mais do correto, do por extenso. É preciso ser rápido, o tempo urge, nesta corrida desenfreada não sei  para onde e nem para quê!  Escrever à mão, em letra cursiva, pra que esta perda de tempo? E quem quer perder o tempo escrevendo algo caprichado, usando a velha caneta?   Puristas como Bilac e Machado devem estar tontos de tanto dar voltinhas em seus caixões, se puderem ver o que se escreve por aí!
      Por isso, acho que o Quintana estava certo. Nossa linha de evolução vai descer  em direção ao bom macaco, que só queria caçar, comer, brigar com os vizinhos e arrastar sua macaca para a caverna ( será que o macaco do futuro vai querer caverna?) Agora, como será essa caverna, como ele andará e o que irá fazer, são outros quinhentos! Com o pouco uso do cérebro, que é a tendência cada vez maior, não podemos prever  onde  a ”m...” da gravura lá de cima  vai chegar!  Ainda bem que eu não vou estar aqui para ver!

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