segunda-feira, 3 de agosto de 2015

DICAS PARA MELHORAR SUA MEMÓRIA

  Sedentarismo, dieta errada, depressão e pouco treino intelectual influenciam no (maufuncionamento do cérebro. Veja como reverter esses efeitos e turbinar sua capacidade de gravar informações.

   O vencimento da fatura do cartão de crédito, o nome daquela atriz (aquela, daquele filme), o título do último livro que você leu ... Às vezes parece que as informações são deletadas da sua cabeça sem aviso prévio? As falhas da memória são consequência do passar do tempo, sim, mas não só. "Diabetes, hipertensão e problemas da tireoide, assim como déficit de vitaminas e depressão, se não controlados, comprometem o desempenho cerebral", explica a neurologista Sonia Brucki, professora da Universidade de São Paulo. No entanto, pessoas saudáveis e com a mesma idade podem ter comportamentos diferentes em relação às lembranças - e, enquanto uma se recorda de datas e detalhes, outra esquece o que estava vestindo ontem. "Somos influenciados também por nossa alimentação, pela prática de atividades físicas e intelectuais e, acredite, pelo bom humor", completa Sonia. A genética e a idade têm um peso de 25% a 30% no desempenho cerebral. Já esses outros fatores respondem pela maioria restante. Portanto, quem quer melhorar a memória precisa manter a saúde em dia e se empenhar em treinar o cérebro - e esse é um dos principais ensinamentos de Nelson Dellis, quatro vezes campeão da memória nos Estados Unidos (onde existe uma competição que mede o potencial de recordação dos participantes). Dellis esteve no Brasil em abril, quando contou a CLAUDIA sobre as técnicas que usa quando quer gravar uma informação  e confessou que também vive esquecendo onde guardou as chaves, já que dá menos atenção a elas. "Para se lembrar de algo, a pessoa precisa focar", alerta o psiquiatra Luís Gustavo Buzian Brasil, da clínica Maia, em São Paulo. A seguir, quatro dicas para turbinar a memória.

 LEVE UMA VIDA SAUDÁVEL
   Quem faz atividade física tem 35% menos risco de declínio cognitivo do que os sedentários, aponta estudo publicado no Journal of Intemal Medicine. O prato também conta - e muito.
    Alimentos como nozes, azeite e tomate (típicos da dieta mediterrânea) são ricos em ômega 3, gordura monoinsaturada e licopeno, respectivamente, que retardam a oxidação das células como um todo, inclusive os neurônios. ''Vinho tinto de qualidade e sem exageros e alimentos integrais também fazem diferença", complementa o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, Outro componente especialmente benéfico para a memória, descobriu-se recentemente, é o DHA, presente no ômega 3. Ele pode ser encontrado em peixes de água fria, como salmão e atum, ou em suplementos - com orientação médica.
  "A suplementação é contraindicada para quem tem problemas de coagulação", avisa Ribas Filho.
       
DESAFIE O RACIOCÍNIO SEMPRE
  Leitura, palavras cruzadas, quebra-cabeças e mesmo discussões sobre política e atualidades exercitam nossa capacidade de guardar dados. "Se alguém trabalhou como advogado a vida inteira e, depois da aposentadoria, deixa de ter atividades intelectuais, a memória e a concentração são prejudicadas", alerta Sonia Brucki. Quer dizer, para manter o cérebro em pleno funcionamento é preciso desafiar o raciocínio constantemente. E, para desenvolvê-lo, essas atividades são essenciais também, como notou o engenheiro Antônio Carlos Guarini Perpétuo, fundador da Supera, rede de escolas baseadas na "ginástica cerebral".
.              O conceito por trás dessa rede é estimular o cérebro por meio de exercícios que permitem restabelecer e turbinar suas conexões. Perpétuo decidiu apostar nisso depois que notou a diferença que o treino com o ábaco, calculadora manual da Antiguidade, tinha feito pela capacidade de concentração e aprendizado de seu filho, então com 9 anos.

TREINE SEU CÉREBRO
      Nelson Dellis, campeão da memória, dá sua receita: "Quando quer memorizar algo, o primeiro passo é prestar atenção", afirma ele, que leva a sério as recomendações quanto a alimentação, exercícios e bem-estar já mencionadas. Em seguida, ele indica algumas de suas estratégias. Suponhamos que você precise decorar o nome de alguém e suas feições. Crie uma história entre elas - Isabel, digamos, que se parece com sua tia, detesta o próprio nome. Então visualize-as discutindo sobre isso. Ela grita, brava: "Detesto me chamar Isabel!"  Use suas sensações: você fica assustada com os gritos. Inverossímil? "É útil criar cenas exageradas. Como aquela imagem se destaca das outras, é mais facilmente armazenada pelo cérebro", ele diz. Também ajuda situar a cena imaginária em um cômodo da sua casa ou outro ambiente familiar. Outra estratégia: aproveite momentos livres (como o trânsito) para "repassar" dados que precisa guardar - como a apresentação de um projeto.

MANTENHA  O  ASTRAL  ALTO
     "A depressão causa um rebaixamento da capacidade neuronal", alerta o psiquiatra Luís Gustavo Buzian Brasil. Com isso, atividades cerebrais, como memória e atenção, ficam . comprometidas e a pessoa tem maior dificuldade de se lembrar de fatos antigos e (por causa da atenção menor) recentes.
  "Períodos de tristeza não patológica também prejudicam a concentração", avisa o especialista. "A pessoa sente um desânimo que acaba diminuindo sua capacidade de focar
." Segundo ele, se a sensação se prolonga por mais de três semanas, já é motivo para procurar um médico - remédios e psicoterapia
podem ajudar. Mas nem só os casos extremos influenciam no funcionamento do cérebro.
   "Seguir a vida com bom humor e leveza, assim como ver amigos com frequência e participar de atividades em grupo, é importante para o bem-estar", aponta Sonia. Quanto melhor a pessoa estiver se sentindo, maiores as chances de ter suas funções mentais a pleno vapor.


                      (LlLIANE PRATA, revista CLAUDIA, julho de 2015)

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