sexta-feira, 20 de maio de 2011

FALE PORTUGUÊS!


       Não desejo parecer uma dessas professoras de Língua Portuguesa “gramatiqueiras” e ranzinzas que querem todos  falando certinho o tempo todo, mas o desleixo com a nossa língua  é cada vez maior e, para atrapalhaR mais ainda, veio essa mania difundida pela mídia, especialmente a comercial, de usar palavras em inglês a torto e a direito, como se todo mundo fosse obrigado a conhecer a língua inglesa!  Por isso, posto aqui um interessante texto sobre o assunto.      

           A língua portuguesa do Brasil, já distinta em tantos aspectos daquelas  faladas em outros países, nos confere identidade. Travestida de cultura, de formas brasileiras, tem mantido nossa unidade e eXibido  ao  mundo  a imagem do Brasil e a alma brasileira.
           Mas algo de muito preocupante está acontecendo com essa língua.
          Por conta de um deformado entendimento de globalização, nossa língua  nacional,  juntamente  com  a cultura brasileira, está sendo,  de  forma muito abrasiva, corroída pela incorporação leviana do inglês no nosso dia a dia.
          Há quem  diga  que  isso  é  reflexo  da globalizaçáo  e  que  acontece  em  todos  os  países. E  que,  se  o  Brasil quiser  estar  inserir do no cenário mundial deve falar inglês.
           Isso  é  miopia  cultural,  falta  de  personalidade. No cenário mundial, quem  não  tem  identidade  não  se  destaca,  se  torna  servil,  sem valor.
           O inglês deve ser apenas ferramenta de  trabalho
         Estamos sob o monopólio  do Inglês, imposto pelos meios de comunicação e propaganda, onde utilizar o inglês é “cult” e utilizar o português ou “aportuguesar” palavras  do  inglês  é  “pobre”.  Exagero?  Veja  o  nome  dos produtos nacionais, dos  eventos,  marcas,  campanhas  e  o  nome  dos  estabelecimentos  comerciais. No  mínimo  um  desrespeito  para  com  os  consumidores  que, passivos, aceitam.
          Até  as  universidades,  que  deveriam  ser  fóruns  de  sustentação  da cultura nacional,  estão  apáticas.  Artigos  e  monografias  já  foram  substituídos   por “papers”.
         Outra  afronta  são  as  emissoras  de  rádio  de  nível  nacional  que  só transmitem  músicas  em  inglês.  Dizem:  “O  mundo  toca  aqui”,  como  se  o  mundo só  falasse   inglês.  Não   questiono  a  qualidade  musical  lá veiculada,  mas  sim   o  fato  de  excluir  da  programação  a  boa  música  brasileira,  bem  como  a  dos outros  países.  Divulgar  a  diversidade,  isso   sim,  seria  fazer  o  mundo  tocar aqui.
         Paradoxalmente, enquanto tenta-se destacar a marca “Brasil” no Exterior,   o  turista  que  aqui  aporta  cada  vez   menos encontra   o que é  autêntico,  original. O turismo  interno  se  prepara  apenas para falantes  do  inglês,  enquanto  oito  dos   dez  países que mais enviam turistas ao  Brasil  falam  línguas  latinas. O  Brasil  está se tomando um daqueles países  estereotipados  dos  filmes  americanos que idolatram outro pela negação  de si  próprios.
         Muito  mais  poderia  falar, mas esta se tornaria  enfadonha  e  pareceria   peça  de  alguém  radical,  xenófobo,  ou  ingênuo,  em  defesa   da língua   portuguesa   imaculada,   desconhecedor   de   que  qualquer língua  viva   sofre   processos  de  mutação.  Ou  ainda  de   alguém  antiamericano  ou  antiglobalização.
         Pelo contrário, reconheço a mutação das línguas e a importância  do inglês no mundo globalizado. Defendo seu ensino nas escolas públicas  como  ferramenta  para  conquista  de  emprego, mas condeno seu uso como meio de aculturamento. Acredito mais na importância de nossa língua e cultura,  que  precisam  ser  preservadas, porque somos um povo vitima  do  piores  desmandos  e  rapinagens  e  não  podemos  permitir que também   a nossa língua seja saqueada.
                                                (DEMETRIO NAZARI VERANI - professor)

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