sábado, 13 de agosto de 2011

A ARTE DA SONSICE

               Este é o título de uma interessante matéria da jornalista Mônica Waldvogel, publicada na revista Lola, nº 9, em que a autora, baseada nos bate-papos com amigas, relata as artimanhas que muitas mulheres poderosas, duronas e bem-sucedidas profissionalmente, usam para driblar os problemas que poderiam enfrentar com maridos, namorados, colegas de trabalho, chefes.
                É da rotina da autora encontrar-se com amigas nos  finais de tarde  para tomarem um drinque e conversarem.  E,  do que ouviu nessas conversas, nasceu o material para a referida publicação, pois nessas  ocasiões muitas das  mulheres presentes  comentavam  os seus  problemas em administrar uma carreira  bem sucedida com as possíveis  mágoas de companheiros e colegas de trabalho,  que poderiam se tornarem  hostis por  ciúme  do  seu sucesso.
               As  queixas eram sempre as mesmas:  os  homens não aguentam as mulheres fortes, as que resolvem  suas questões, ganham dinheiro, são donas da própria vida. Algumas  nem querem discutir o problema, querem apenas desabafar.
             Mas há uma outra turma, as que estão muito convictas de que, para ganhar o jogo com os homens, é preciso dominar a arte da sonsice. Elas descrevem orgulhosamente como jamais contaram para maridos ou namorados, por exemplo, que ganharam um cartão de crédito da empresa em que trabalham. Ou jamais comentam os elogios que sua performance costuma receber. Enfatizam as dificuldades, fazem grandes dramas sobre o mau humor do chefe e sempre, sempre dizem que estão sem dinheiro.
              Morrem de rir quando contam isso tudo e são muito dispostas a ensinar suas manhas requintadas s amigas preocupadas com o aumento que receberam e terão de dizer, mais cedo ou mais tarde, ao marido que anda numa fase tão difícil no trabalho. A malicia feminina pode ser bem engraçada, conforme o talento da narradora das peripécias. Mas também soa meio patética, pois é assim  que  um  consenso idiota vai se formando.
           Outro dia, no cabeleireiro, uma moça loira muito bonita exibia seus talentos de atriz para mostrar como aprendeu a se fazer de aflita quando chegava em casa e encontrava o marido mal-humorado.  Inventava um  problema acontecido no trabalho, fingia uma crise de choro, até que o marido, penalizado, se acalmava e vinha consolá-la.
              Contei a ela sobre uma mulher que conheço que se aperfeiçoou tanto nesse tipo de artimanha que, sendo dessas chefes duronas que fazem todo mundo tremer à volta dela, consegue abrir uma torneira de lágrimas quando conveniente. Trata-se do que ela chama de “choro preventivo.” Quando percebe que tudo o planejou vai dar errad,  em  casa ou no   trabalho, minha amiga some de cena. Começam a procurá-la por toda parte,vaté que a encontram, normalmente no banheiro, aos prantos. Aí, ela representa com muita segurança seu desespero diante do fracasso iminente. É então que os caras não resistem e lhe dão o que estava pedindo – consolo e absolvição prévia pelos equívocos. E quando o evento termina, o marido ou o chefe ainda vem dizer: "Viu como deu tudo certo?".
                 Será essa a feminilidade?
                Se feminilidade é coisa que se tem de adquirir pelo aprendizado ou com o cartão de crédito, talvez tenhamos perdido alguma coisa quando estávamos nos preparando para o vestibular ou fazendo o MBA. Agora que andam dizendo que isso  algo que a mulher tem de recuperar d qualquer jeito se quiser manter aquele homem que chama de seu, percebe-se que não bastam os sapatos, a ginástica, os finalizadores de cabelos e as controladores de apetite. Há a feminilidade que faz um homem se sentir viril, e esta está perdida. Onde é que a gente compra? Vende online?
               As mulheres passam uma vida oscilando entre as dois imperativos categóricos desta era. O primeiro é o item número 1 dos manuais do sucesso na carreira profissional: o foco nos objetivos. O outro é brandido pelos especialistas que apontam a dedo para o abandono da feminilidade como a causa primeira do naufrágio dos relacionamentos amorosos.
             É como se a mulher precisasse ter uma chave mental  que ligue o foco quando se passa o crachá na  catraca da empresa e troque o modo de funcionamento quando  vira a chave na porta de casa. Dois mundos habitando a mesma alma feminina ou duas almas para cada um dos dois mundos, eis a questão.
             Talvez fosse a caso de olhar para aquelas mulheres que conseguiram resolver o dilema sem amargura ou fria estratégia. Há nelas um não sei quê capaz de dar conta de ir  bem no trabalho, lidar com o sucesso e ainda desfrutar de uma boa vida amorosa. Sei  pouco sobre elas. Mas, numa rápida olhada, observo duas coisas.
                A primeira é que elas têm uma dignidade que vem do conforto de se sentirem bem por suas  escolhas. A segunda é que uma dessas escolhas fez toda a diferença: a de um homem suficientemente bom a ponto de aceitá-las com sua pesada carga de remuneração excelente, ótimas perspectivas no trabalho e alegria em realizá-las. A chave do enigma consiste em desvendar se elas escolheram homens assim porque são  que são, ou foi o contrário.
           Esses rapazes que identificam mulheres femininas deixando-se iludir pela falsa fragilidade, precisam ficar mais espertos, tirar esse atraso, correr mais um pouco. Têm de chegar junto dessas garotas que miram bem lá na frente. Essas que se fazem de fracas e tontas devem saber que esse é um truque ruim. Mais cedo ou mais tarde, a fraude será revelada porque, já disse alguém, ninguém consegue mentir sobre algo tão essencial o tempo todo - ainda mais alguém que se sente uma fortaleza.
              E aquelas queixosas que vivem repetindo que os homens abandonam as mulheres poderosas, por favor, tomem muito, muito cuidado. Não dá mais para ouvir essa conversa. É um papo muito chato que já mostra um problema: se a gente que é amiga não aguenta mais, por que um sujeito legal iria suportar?

domingo, 7 de agosto de 2011

SERÁ QUE PRECISAMOS DE MAIS VEREADORES?

      Já se comenta muito sobre o aumento do número de vereadores para os municípios na próxima eleição (2012). A propósito do assunto, resolvi postar aqui uns "outdoors"  que recebi na mensagem de uma amiga. Os mesmos foram fotografados na cidade de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina.  Pense bem sobre o assunto, pois a campanha política já está na mídia..





sábado, 23 de julho de 2011

A COPA 2014 VAI MESMO VALER A PENA?


     Seguidamente aparecem notícias com comentários sobre os atrasos nas obras dos estádios onde se realizarão os jogos e nas obras de infraestrutura (aeroportos, estradas, hotéis, transporte, policiamento...) que serão necessárias para garantir o atendimento adequado aos turistas que se deslocarão para as cidades sedes a fim de assistir aos jogos.
      Além disso, há uma outra questão sobre a qual não se fazem reflexões: a quantia enorme de dinheiro que será gasta para colocar em prática tudo o que é necessário para o sucesso do acontecimento. Levados pelo entusiasmo de ter o Brasil sediando uma Copa do Mundo de futebol, a paixão maior dos brasileiros, a maioria das pessoas não param para pensar nas implicações financeiras e nas consequências futuras. E os governos Municipal, Estadual e Federal se deixam levar pelo entusiasmo de ter seus nomes ligados ao evento, o que lhes renderá dividendos políticos. Isto sem falar nas possibilidades de desvios de verbas, licitações fraudulentas, e outras “roubalheiras” que costumam acontecer nestes casos, enriquecendo políticos, lobistas, empreiteiros e outros que se envolverem nas obras que estão sendo construídas.
      É claro que um evento desta magnitude, ainda mais envolvendo uma paixão nacional, traz suas vantagens para o país: a visibilidade no mundo todo, as obras que ficarão e poderão ser aproveitadas (melhorias em aeroportos, estradas, meios de transporte, etc.), o dinheiro que entrará em circulação com a chegada de muitos visitantes, e outros. Mas será que o Governo Federal, na ânsia de ver o país aceito como sede, pensou bem no enorme compromisso em que se meteu? O que acontecerá se as coisas não derem certo? E o povo já se deu conta que ele é que vai custear a maior parte dos gastos nos preparativos, através dos impostos que paga, e que esta “grana” toda poderia ser melhor empregada em obras que viessem a beneficiar a vida das pessoas mais necessitadas? O caso da última Copa do Mundo, realizada na África do Sul, mostrou claramente estádios magníficos ao lado de tristes favelas e de esgotos correndo a céu aberto. Será que tais estádios estão trazendo algum benefício agora que tudo já passou?
      Já pensaram no que as cidades-sede das regiões Norte e Nordeste, por exemplo,  onde o futebol não tem a mesma força dos grandes clubes das outras regiões, irão fazer com os belos estádios que foram construídos ou reformados, depois que a Copa de 2014 passar? Eles não se tornarão verdadeiros “elefantes brancos”, com os quais ninguém sabe o que fazer? Não acabarão se deteriorando pelo pouco uso ou pela falta de verba para conservá-los , como já aconteceu com tantas obras neste país ( a Transamazônica, por exemplo)?  Se isto acontecer, acabarão tendo de usar o gramado dos estádios para plantar soja ou engordar gado, a fim de compensar um pouco do prejuízo!
              

domingo, 17 de julho de 2011

GERAÇÃO MEDICADA


            Fiz questão de reproduzir aqui uma entrevista com a escritora Lya Luft, e coloquei-a na íntegra, para não prejudicar o estilo desta mulher tão lúcida, perspicaz, observadora,  de visão clara e firme sobre a vida.
            Loira de radiantes olhos azuis, a gaúcha Lya Luft, de 73 anos, vem de uma cidade de colonização alemã, Santa Cruz do Sul. Foi lá que, em meados dos anos 40, a então menina Lya foi  cercada por um grupo de crianças que em torno dela dançavam e cantavam: "Alemã batata, come queijo com barata". O episódio, contado em seu novo livro, A Riqueza do Mundo, ilustra o valor - para o bem ou para o mal - que a diferença ganhou na vida de urna escritora que está longe de ser comum: do “bullyng” infantil meio torto, desencaixado do habitual, ao sucesso atingido já na maturidade. "Ás vezes, ser diferente dói: sei disso", escreve.
            Tradutora de alemão e inglês, Lya Luft começou a carreira literária aos 41 anos, com o romance As Parceiras (1980), e se tornou um fenômeno na casa dos 60, com o livro Perdas e Ganhos (2003), cujas vendas estão hoje em torno de 1 milhão de exemplares. 0 sucesso deixou todo mundo atônito, ela incluída. A resposta acabou sendo dada pelos agentes internacionais que a procuravam para comprar os direitos. Todos diziam, ela lembra, a mesma frase: "Parece que esta mulher escreveu para mim". A identificação, curiosamente, vinha do testemunho dessa vida incomum, marcada (para o mal) pelo sofrimento da dupla viuvez e (para o bem) por um novo casamento na maturidade, com um saldo de três filhos e sete netos. Uma tecnologia de sofrimento ímpar, mas também um capital de afeto sem preço.

O que é a geração medicada que você menciona no livro?
Parece que achamos as pílulas da felicidade, estamos dando antidepressivo para crianças hoje em dia Por qualquer coisa, saímos do médico com uma receita de antidepressivo nas mãos. Às vezes, é preciso, claro. Tomei quando fiquei viúva pela primeira vez (em 1988, do escritor e psicanalista Helio Pellegrino. Depois, Lya se casaria pela segunda vez com Celso Pedro Luft, com quem tinha tido seus três filhos, anos antes). Mas eu nem saía da cama! Hoje não, tudo está banalizado. Não tenho nada contra remédios para dormir, nem contra cirurgia plástica, já fiz uma há 20 anos. Mas tudo isso se banalizou. Tomamos remédio para dormir, para acordar, para trabalhar, para descansar, para transar.

Por que ficamos assim?
Em parte, porque nossa vida é muito estressante, competitiva. O homem quer ser O mais poderoso, e a mulher, a mais jovem e mais sexy. Temos que ser lindos, magros, temos de subir na empresa. É duro enfrentar a vida moderna no osso do peito. E esse mesmo desejo de conforto faz com que as pessoas se droguem - porque remédio é isso, e como todas as outras drogas: serve para anestesiar ou para dar ânimo. Nós substituímos a filosofia de vida pelas pílulas. Se você não para pra pensar em sua própria vida, você vai se atordoando.

Mas qual é a saída, já que a vida se tornou estressante a esse ponto?
Não acredito mais em grandes reformas sociais, acredito em trabalho de formiguinha. Acordar de manhã e pensar se precisa mesmo dos remédios. "Eles estão me fazendo bem ou estou vivendo superexcitado? Estou vivendo superanestesiado?" Minha questão é contra a banalização. Muita gente toma remédio só porque a amiga toma. É preciso saber nadar contra a corrente.

Isso tem a ver com o "espírito de manada" que você menciona nos livros? Como ele se manifesta hoje?
Sim, sempre existiu, mas hoje está mais forte essa ideia, bem adolescente, de pertencer àquela tribo, àquele clã. Seguir as modas é uma coisa muito confortadora num mundo belo e cruel, com as gigantescas opções de uma vida cheia de TV e computador. Muitas vezes - na educa<;ao dos filhos, por exemplo -, é preciso se desligar do espírito de manada, o que é muito assustador. Não se enquadrar exige certa coragem.

As perdas fizeram grande parte de sua vida. Depois de certa idade, aprende-se a lidar melhor com elas?
Não existe receita para nada: tem gente que fica infantilizada até os 5O, tem gente que fica velha com 20. O que eu acho É que, na hora do sofrimento, tem de sofrer. Fico inquieta quando vejo alguém perder um filho, o marido, e todo mundo em volta dizendo: "Reage, não fica assim, não chora". Como não? Tem que chorar. Uma vez, uma jovem me ligou dizendo: "Lya, conversa com a minha mãe? Ela ficou viúva há 15 dias e só chora em cima da cama"."Faz 15 dias? Eu respondi: "Ela não deve estar chorando em cima da cama, ela deve estar chorando embaixo da cama!". É a hora de sofrer, mas a gente tem horror ao sofrimento. O melhor jeito de lidar com a perda é perder: você tem que aceitar. Com o tempo, se você não entrar numa psicose de luto - e aí, sim, só com ajuda e remédios -, a vida chama devagarinho. 

O que chamou você de volta da depressão?
Meus filhos. Quando fiquei viúva pela primeira vez, eu morava no Rio de Janeiro, tinha 49 anos e estava
casada havia pouco mais de dois anos. Voltei para o Rio Grande do Sul, meus filhos já eram jovens adultos e eu estava muito mal, precisava praticamente que me dessem comida na boca, meus amigos, amigos do meu marido ... Pensei: "Eles não têm culpa. Eles já estão tristes por ter perdido um amigo, meu marido, precisam cuidar de mim e eu não posso ficar um trapo o resto da minha vida". Aos poucos, fui reagindo, vi o valor dos afetos. Passei a dormir de cortinas e persianas abertas, para ver a mudança da claridade, o dia nascendo. "O mundo ainda existe", pensei. Sou uma pessoa que gosta da vida, sou mais uma hedonista do que uma sofredora. Acho que, com a maturidade - não sei se estou no começo da velhice ou no apogeu da maturidade -, você vai ficando mais esperta...

Como?
Você conhece seus próprios macetes. Eu me divirto mais agora. Uma vez, perguntaram para a Tônia Carrero, na minha frente: "Como a senhora lida com a velhice?", E ela respondeu: "Não tem o que fazer, a alternativa é a morte". O bom humor é muito importante. Meu compadre, Érico Veríssimo, sempre me dizia quando eu era jovem: "Um dia você vai entender que, às vezes, o humor é mais importante que o amor".

Depois de tantas perdas, como você lida com a necessidade cotidiana da figura do homem?
 Não tenho necessidade da presença masculina, fiquei muitos anos sozinha. Quatro anos depois de ficar viúva pela primeira vez, voltei a me casar, em 1992, com o pai dos meus filhos, Celso Pedro Luft. Menos de um ano depois, ele teve um AVC e virou meu "quarto filho", virou um bebezão durante três anos, e entãu faleceu. Vivi muitos anos sozinha e bem, embora não ache que o ser humano tenha nascido para ser sozinho. A vida dividida numa relação legal é enriquecida.
Sua visão da presença masculina sempre foi muito positiva, não?
É verdade. Meu pai era muito legal, provavelmente a pessoa mais influente da minha vida. Meu primeiro marido era uma pessoa que também me deu muita segurança quando eu era muito tímida. O que eu acho É que a sociedade cobra muito dos homens, sou solidária a eles. Eles têm de ser fortes, ter barriga tanquinho, muitos cartões de crédito, ser competitivos, ser incríveis na cama, com toda essa fantasia que se faz sobre a vida sexual dos casais de que se deve transar todos os dias, tendo mil orgasmos. E é tudo mentira: as pessoas nunca transaram tão pouco e tão mal.

Por que?
Um pouco pelo excesso de medicação, um pouco porque, se você começa a ver o que esperam de você, você sai correndo! O sexo devia ser mais natural e mais alegre.  O sexo, o amor, o carinho devem ser um refúgio desse mundo atrapalhado em que vivemos, em que corremos o tempo todo. Hoje, não é mais o pai que chega cansado depois de um dia de trabalho. É o pai e a mãe que chegam cansados, num estresse brutal. Como resolver essa nova vida, esses novos casais, a família mudando? O papel do homem ficou ai no meio. Acho também que temos certa tendência a ridicularizar os homens, não gosto disso. Essa coisa das minhas avós, "os homens são todos iguais", "os homens só pensam naquilo". Essa visão do homem como desprezível é muito triste, mas acho que ainda existe. "Os homens estão com medo dessa nova mulher." Os bobos podem até estar com medo, mas os outros acham interessante, porque, em vez de ter em casa mais uma criança, têm uma parceira.

O casamento muda quando se é mais maduro?
 Sim, quando você embarca numa relação numa certa idade, você tem que conversar sobre coisas muito reais, aceitar o outro com suas manias (desde que não a incomodem), com sua bagagem emocional: são pessoas que já viveram, casaram, descasaram, tiveram filhos. É uma mistura de tolerância, camaradagem e bom humor. Casamento ou é muito bom ou é um porre. Casamento mais ou menos não pode existir.  

                              (Por Luísa Dalcin, revista LOLA, nº 10, julho de 2011)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

PAPO DE TÍMIDO


Para os que, como eu, gostam de ler Luis Fernando Veríssimo, reproduzo aqui uma entrevista dada por ele.

Autor dos textos de humor mais amados do Brasil, Luis Fernando Veríssimo fala sobre cositas sempre associadas a ele: piadas, música e timidez.

1. Das mentiras que os homens contam, qual é a que você mais usa?
   "Eu nunca minto."

2 Ser famoso por ser tímido não é uma coisa meio estranha?
   Pois é, ser notado pela timidez não deixa de ser uma contradição. Mas há quem diga que ninguém é mais extrovertido do que um tímido, que sempre acha que está sendo a centro das atenções .

3. O que deixa você de mau humor?
    A injustiça, a prepotência e as derrotas do Internacional. Para curar, só o tempo .

4. Qual confissão você faria para o Analista de Bagé?
    Nenhuma. Tá doida?

5. É mais difícil fazer humor sobre a vida privada em tempos de tanta hiperexposição?
    As pessoas estão se encarregando de fazer suas próprias comédias e expor seus próprios ridículos ... Isso é concorrência desleal.

6. As pessoas esperam que você seja engraçado o tempo todo?
    Tenho certeza de que elas se decepcionam quando me conhecem. Sou a pessoa mais sem graça que conheço.

7. Quando uma piada perde a graça?
     Quando magoa alguém.

8. Você alguma vez sentiu que seu sobrenome pesa mais do que você gostaria?
     O sobrenome nunca foi problema, pelo menos consciente. E é claro que ajudou.

9. Para aliviar a cabeça, é melhor a leitura ou  a música?
    Alívio, a musica, mas as duas coisas fazem bem para a cabeça. Mas separadas: música nunca deve ser apenas de fundo.

10. E na hora do seu desabafo, você prefere escrever ou tocar?
      Tocar. É o que me dá mais prazer.

FALA POUCO, MAS FAZ MUITO.
        Para um tímido célebre, até que Veríssimo se virou bem ao espalhar suas crias Brasil afora. O gaúcho quietao e pai de clássicos como O Analista de Bagé (o psicanalista mais ortodoxo do que a pomada Minancora), A Velhinha de Taubaté ( a única brasileira que ainda acreditava na política brasileira), Ed Mort (o detetive incrivelmente trapalhão) e As Cobras(os répteis cabeça que discutem economia e filosofia). 
       A equipe de LOLA encontrou Veríssimo na casa do escritor, no tranquilo bairro de Petrópolis, em Porto Alegre. A casa foi construída pelo pai, Érico Veríssimo, na década de 40. A fachada é discreta, com um banquinho de madeira e azulejos coloridos formando um mosaico em torno da porta. Ele chegou em casa atrasado, explicando: "Estava dando uma palestra para crianças em um colégio aqui perto". 
       Veríssimo tem quase 70 títulos publicados, entre livros de crônicas, tirinhas, contos, novelas, romances, guias de viagens, poemas, histórias infantis e até uma confissão de amor ao seu time, o Internacional. Também acha tempo para ser músico. É o saxofonista da banda bissexta Jazz 6. E tem quatro CDs gravados

                                           (Por Luísa Dalcin, revista LOLA, nº 10, julho de 2011)

domingo, 26 de junho de 2011

OUTRA VEZ A FELICIDADE

          Lendo a crônica do amigo Márcio Brasil, no Expresso dessa última sexta, em que ele aborda o tema “felicidade”, fui levada a refletir novamente sobre o assunto e cheguei a algumas idéias.  
       Uma delas é a de que a felicidade pode estar na própria busca da felicidade. Se nos lançarmos em sua busca ( e todos o fazemos, pois quem não quer ser feliz?), durante a caminhada teremos de ter atitudes que evidenciem o que queremos. Caso olhemos para os lados e nos preocupemos com a felicidades dos outros também, poderemos contribuir para isso e receber deles uma reciprocidade. E esta “troca de contribuições” irá  nos dar um grande impulso para ir em frente. Isto somente acontecerá se soubermos dar valor às pessoas com quem convivemos, a cada dia que temos chance de viver, às pequeninas coisas que sucedem no dia a dia e que, às vezes, passam despercebidas. E aprender com essas experiências. Sim, porque é necessário aprender a ser feliz e a ter uma visão clara do que vai nos dar felicidade.
         Por exemplo, se colocarmos  o “ser feliz” em tornar-se rico, famoso, ter um carro magnífico, namorar aquela pessoa que se acha linda, corremos o risco de atingir o objetivo e nos desiludirmos. Podemos ficar ricos e verificar que o dinheiro não consegue comprar tudo que nós queríamos e sentir um vazio interior impreenchível. E daí, dê-lhe festas, badalações, bebedeiras, aventuras, para preencher este vazio!
        Podemos chegar à fama. Mas será que teremos estrutura para suportá-la? A fama exige muitas coisas, desde trabalho constante para mantê-la, até a perda da privacidade, do direito de fazer o que se quer e na hora em que se quer. Por isso há tantas celebridades por aí perdidas num mundo de loucuras para chamar a atenção, em bebedeiras e drogas, que acabarão levando a um final  triste. Não tiveram estrutura e nem apoio para pagar o preço que a fama cobra.
          Colocar a própria felicidade nas mãos de outra pessoa também pode ser desastroso, pois aquela beleza que nos encanta pode esconder um ‘morcego” por trás de um “beija-flor”. Lembro de uma crônica que li tempos atrás, “O umbigo da Cida” (não recordo o autor), em que ele fala de um amigo encantado com a beleza duma moça, Cida, e que faz tudo para conquistá-la. Só que, a convivência com a “lindona” mostra que ela é uma pessoa vazia, que só “enxerga o próprio umbigo”, não tem nada além da beleza física para oferecer. Lembro ainda de um aluno meu,  que começou um namoro com uma garota linda, da outra turma, e logo desistiu. Quando lhe perguntei dela, repondeu-me: ”Ah, não deu, professora. Não fala nada que se aproveite!” (O rapaz era inteligente, estudioso, bem informado.)  Claro, namoro não são só beijos, sexo, carinhos! Há momentos em que se precisa conversar, dialogar. E aí é que a coisa desanda!
         Mas a maioria das pessoas apostam suas fichas nessas coisas (beleza, dinheiro, fama, poder terem  tudo o que desejam...). E como a mídia martela nos nossos ouvidos insistentemente que precisamos ser assim ou assado, ter isto ou aquilo para sermos bem sucedidos, acabam convencendo!  Desde que a indústria da propaganda tomou conta do mercado, houve uma inversão de valores e o superficial, o aparente passou a ser o mais importante. E quem não for inteligente, observador e esperto para se dar conta que o caminho não é por aí, acaba se dando mal.
          Assim, pense bem no que você precisa para ser feliz, aprenda com o que vê e ouve sobre o que acontece ao seu redor, para não fazer escolhas erradas e chegar onde não queria.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

OBRIGADA POR TEU TEMPO

Mensagem que recebi e repasso a todos os meus amigos e aos que visitarem este blog:

      Encontrando-se às portas da morte, Alexandre convocou os seus generais e  comunicou-lhes os seus três últimos desejos:
1 - Que seu ataúde fosse levado aos ombros e transportado pelos melhores médicos do reino.
2 – Que os tesouros que tinha conquistado (prata, ouro e pedras preciosas)    fossem espalhados pelo caminho, até sua tumba.
3 - Que suas mãos ficassem balançando no ar, fora do ataúde e à vista de todos.
     Um dos seus generais,  assombrado por tão insólitos desejos, perguntou a Alexandre:        
      - Porque razão pretendes que assim se faça?
       Alexandre explicou:
1 - Quero que os mais eminentes médicos carreguem o meu ataúde para que percebam que perante a morte não têm o poder de curar.
2 - Quero que o solo seja coberto por meus tesouros para que todos possam ver que os bens materias aquí conquistados aquí permanecem.
3 - Quero que minhas mãos se balancem ao vento, para que as pessoas possam ver que viemos com as mãos vazias e com as mãos vazias partimos.

      O TEMPO é o presente mais precioso que temos porque é LIMITADO.
Podemos ganhar mais dinheiro, mas NÃO mais tempo.
Quando dedicamos tempo a uma pessoa, estamos oferecendo uma porção de nossa vida que NUNCA poderemos recuperar.
Nosso tempo é nossa vida.
E o melhor presente que podes oferecer a alguém é teu tempo; por isso, quando vi este legado, de imediato pensei em ti.
Obrigada por esta prenda que cada dia recebo, quando me ofereces um pouco do teu tempo, seja visitando meu blog, enviando e-mails, mensagens, ou  uma palavra amiga pelo telefone. 
Obrigada. Recebe o meu carinho e gratidão.